A relação entre carnivorismo e a dominância masculina

Maria Luiza Simplicio • 17 Outubro 2020
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A política sexual da carne’ é a obra mais conhecida da ativista Carol J. Adams. Ao longo das 350 páginas, a autora discute a intersecção entre o feminismo e o vegetarianismo, apresentando uma leitura crítica sobre os significados de gênero presentes na nossa cultura alimentar.
Colocando em debate a construção social que envolve o carnivorismo, Adams aponta a visão de que a carne se mostra como um sinônimo de força e virilidade sempre associada ao masculino. Assim, tem-se o conceito de ‘referente ausente’ para que ocorra uma análise das representações culturais dos animais e das mulheres: para que exista a carne, os animais são transformados em comida por meio de uma simbologia que os tornam ausentes (por exemplo, uma vaca após sua morte se torna apenas um bife ou hambúrguer, que são símbolos menos inquietantes na visão de muitas pessoas). Da mesma forma, as mulheres na sociedade passam de indivíduos em sua integralidade (com seus ideais, intelecto e vivências) para uma mera objetificação, tendo sua identidade reduzida a partes sexualizadas, e tendo seus corpos construídos como algo metaforicamente comestível.
A autora busca demonstrar os aspectos culturais relacionados ao consumo de carne, e por meio da obra consegue tornar mais acessível a discussão acerca da relação entre a opressão das mulheres e dos animais baseados em uma mesma hierarquia, que sustenta o pensamento patriarcal ao longo das décadas. É uma leitura indispensável a quem deseja entender o funcionamento de estruturas sociais opressivas, e refletir sobre as influências da alimentação em outras áreas.

Texto e Arte: mallusimplicio
Fonte: ‘A política sexual da carne’ . Carol J. Adams