No Dia da Consciência Negra, voluntários falam sobre futuro

Luana Leal Greenpeace Brasil • 26 Novembro 2020

Oie todes, espero que estejam bem.

Mais uma semana fervorosa de mobilizações, receitas e inspirações dos nossos voluntas. Vem ver pra terminar a semana sorrindo: 

Na última sexta-feira (20), vivenciamos o Dia da Consciência Negra. Este ano, rodeado mais do que nunca por um cenário de opressões e silenciamentos de corpos e intelectualidades negras, convidamos a voluntária e Facilitadora do grupo de Salvador, a Mia Santos, para falar sobre esse dia e abordar a relação entre a resistência da negritude com o movimento de luta por Justiça Climática. Vem ver a aula que ela deu: 

“Olá.

Eu sou Miraildes Santos, voluntária de Salvador, e gostaria de falar sobre um assunto super importante.

Hoje, apesar de ser uma data historicamente importantíssima, é também um momento essencial para pensarmos e falarmos sobre o futuro que queremos. 

O Dia da Consciência Negra, apesar de ter sido oficializado somente em 2011, carrega séculos de luta e resistência do movimento negro, que batalha, até os dias atuais, pelo reconhecimento do poder e da força da negritude. É a data em que o Brasil reverencia o heroísmo de Zumbi de Palmares, símbolo maior da resistência e da luta dos negros contra a escravidão.

E em meio a tantas problemáticas que estamos vivendo nos últimos anos, torna-se imprescindível falarmos sobre as repressões e silenciamentos que ainda recaem sobre os corpos negros no Brasil. 

Estamos há décadas nos movimentando e lutando contra as mudanças climáticas e começamos a entender que este processo envolve também esferas éticas e políticas, por isto, buscamos JUSTIÇA CLIMÁTICA! 

E não podemos falar de Justiça Climática sem falar de Racismo Ambiental! 

Você sabe o que é Racismo Ambiental? 

Racismo Ambiental é a “discriminação racial nas políticas ambientais”, isto significa dizer que há uma construção sócio-política e histórica que marginaliza e vulnerabiliza populações étnicas (como negros, indígenas, pescadores, marisqueiros, quilombolas, entre outras comunidades tradicionais) que sofrem com uma carga desigual dos impactos ambientais, além de serem excluídas dos espaços de formulação, aplicação e remediação dessas políticas. 

Então racismo ambiental são áreas com alto risco de deslizamento de terra, lixões à céu aberto e/ou não atendimento de saneamento básico em periferias. É a não demarcação de comunidades indígenas que lutam contra grilagem e outros conflitos territoriais. É o descaso com as comunidades que têm suas terras tomadas para grandes construções ou perdem suas casas ou meio de sustento devido a um desastre ambiental.   

Outro aspecto importante na construção do racismo ambiental é a falta de representatividade nas tomadas de decisões, nos grupos de discussão, comitês, planejamento de políticas públicas e obras que envolvem essas pautas e que enxerguem essas etnias como parte importante e pertencente do processo. 

Por isso, não somente hoje, devemos combater essa opressão estrutural para alcançar Justiça climática! Apoie comunidades tradicionais e ações afirmativas, proporcione visibilidade e cobre respostas! 

Vamos Juntxs!

Miraildes Santos”

Nossos voluntas não se abstêm em situações de injustiça, e enquanto a mudança de fato não ocorre, elxs não sossegam. Por isso, as mobilizações seguiram a todo vapor no decorrer da semana em prol da população que vive no Amapá, estado que passou mais de 15 dias sem energia elétrica e condições básicas de sobrevivência. 

Para começar, o grupo de Macapá re-postou um vídeo da @tamimartinsss, amapaense que vem lutando para dar visibilidade à situação vivida por milhares de famílias. 

Para além, o grupo de Manaus divulgou e participou de um tuitaço com a #SOSAmapá, para fazer com que o assunto subisse aos trending topics do Twitter. 

Dando continuidade às mobilizações online que rolaram, o grupo de Belo Horizonte organizou-se para recitar a letra da música “Pra não dizer que não falei das flores”, composta por Geraldo Vandré no contexto histórico do regime militar no Brasil. 

A composição acabou se tornando um dos maiores símbolos da resistência à ditadura que vigorava na época.

Os voluntários e voluntárias postaram o vídeo com o objetivo de instigar a todes a pensar sobre o fato de que sem democracia, a luta pela defesa do meio ambiente não é possível. 

Os jovens ativistas que militam hoje, nasceram em uma democracia e não devem e nem irão desistir de seu direito de buscar um mundo solidário e justo, em que a natureza, com sua pluralidade de seres, está acima do lucro.

Vem ver como ficou o vídeo <3

A pandemia ainda não acabou, e por incrível que pareça, precisamos lembrar a todes de que as populações indígenas são as mais afetadas nesse momento. Por isso, o grupo de São Paulo aproveitou o momento para divulgar a mensagem do Xamã, divulgada pelo Greenpeace Brasil. 

Os voluntas também compartilharam a petição #ForaGarimpoForaCovid. Vem! 

O grupo de Zona da Mata Mineira, ainda em formação, organizou o 2° cine debate online. Os voluntários e voluntárias assistiram ao filme “Solo Fértil”, que aborda a exploração da terra, a agrofloresta e discussões relacionadas a sustentabilidade. Para você que ficou curiosx, o documentário está disponível na Netflix :) 

Não existe planeta B e a indústria da carne coloca cada vez mais em risco os ecossistemas em todo o planeta.

No Brasil, a produção de gado é responsável pela destruição de 80% da cobertura florestal da Amazônia, além de ser o sistema que mais alimenta o estado de emergência climática em que vivemos. Biomas estão sendo devorados e transformados em pasto. A floresta está em chamas e, ao contrário do que o afirma o governo brasileiro ao mundo, não segue preservada.

Para refletirmos sobre esse cenário e sermos incentivados a tomar atitudes de mudança, o grupo de Brasília indicou o documentário “Sob a Pata do Boi”, produzido pelo site de jornalismo ambiental ((o)) Eco e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O longa explora a relação entre a indústria da carne e a destruição da maior floresta tropical do mundo e pode ser assistido, de forma gratuita, ao acessar o site da obra. 

Pega a pipoca e vem! 

E como a gente já sabe que você vai sair da sessão verde inspiradíssimx a tomar atitudes mais sustentáveis, já anota essa dica incrível vinda do grupo de Belo Horizonte: 

Plantio de sementes

Produzir mudas de plantas através de sementes é considerada uma tarefa simples - e de fato é. No entanto, exige alguns cuidados básicos.

As mudas podem ser feitas em tubetes, bandejas, vasos, saquinhos para mudas, ou até mesmo em materiais recicláveis que costumamos ter em casa, como garrafas, rolinhos de papel higiênico, caixas de ovos, etc. Ou seja, sem desculpas para não fazer, né? 

Então vem ver o tutorial que o grupo divulgou: 

Da mesma série de: Pequenas atitudes mudam o mundo, os voluntários e voluntárias de Goiânia falaram nas redes sociais sobre ações que podemos ter em casa para um dia a dia mais verde. Inclusive, um dos seguidores do grupo comentou que sempre que troca a água da vasilha do cachorro, aproveita para regar as mudinhas que nutre em seu quintal :) fofo demais <3


 

19/11 - Aniversário do Ministério do Meio Ambiente 

Queria poder dizer que vai ter festa com bolo e guaraná, mas, apesar de ter sido o aniversário do Ministério do Meio Ambiente, nem ele nem seus gestores estão de parabéns.

E para provar que Ricardo Salles e todo o Ministério estão rolando ladeira abaixo desde o início, o grupo de Brasília organizou um vídeo retrospectiva que reúne as principais polêmicas e não-feitos do mandato. Vem ver :) 

20/11 - Dia da Consciência Negra 

O grupo de Brasília também preparou um post super especial para a data. Vem ver: 

“Em uma entrevista, Nakate explicou suas motivações para protestar pelos problemas climáticos que Uganda, a África e o mundo enfrentam: “Meu país depende muito da agricultura, portanto, se nossas granjas e fazendas são destruídas pelas inundações, ou pelas secas, e a produção e ou o cultivo são menores, isso significa que o preço dos alimentos vai subir, e só os mais privilegiados poderão comprar alimentos.” O fio que liga essas (e muitas outras) histórias se tece nas desigualdades e discriminações étnicas e raciais que de antemão, definem quem são os injustiçados e quem são os privilegiados nas disputas pelo território e em torno dos direitos socioambientais. E pode ser sintetizado em um conceito: racismo ambiental.

Quem empregou pela primeira vez o termo foi Benjamim Chavis. “Racismo ambiental é a discriminação racial nas políticas ambientais. É discriminação racial na escolha deliberada de comunidades de cor para depositar rejeitos tóxicos e instalar indústrias poluidoras. É discriminação racial no sancionar oficialmente a presença de venenos e poluentes que ameaçam as vidas nas comunidades de cor. E discriminação racial é excluir as pessoas de cor, historicamente, dos principais grupos ambientalistas, dos comitês de decisão, das comissões e das instâncias regulamentadoras”, escreveu ele. Em tempos de capitalismo global, o conceito de racismo ambiental foi sendo ampliado. Se no início da luta o foco eram as comunidades negras, o próprio movimento social foi se dando conta de que o racismo ambiental também atingia povos indígenas e populações imigrantes, como latinos e asiáticos.

Sem justiça racial, não haverá justiça ambiental. Pautar essa temática é evidenciar as injustiças ambientais pelas quais os povos vulneráveis são submetidos. Regiões indígenas não demarcadas, favelas com alto risco de deslizamento de terra, áreas urbanas não atendidas por saneamento básico são exemplos característicos da opressão contra grupos minoritários. Os povos menos favorecidos socioeconomicamente estão sobrecarregados dos danos ambientais impostos em seus respectivos territórios. Está na hora de construir uma atuação ambientalista que seja intrinsecamente antirracista!”

22/11 - Dia da Reciclagem 

Falar de reciclagem é fundamental em todos os cantos do mundo, principalmente aqui no Brasil, onde ocupamos a 4° posição de maiores produtores de lixo e ainda assim mantemos o posto de nação que menos recicla no planeta. 

Por isso, no Dia da Reciclagem, o grupo de João Pessoa, ainda em formação, preparou uma homenagem a todes os profissionais que trabalham para reciclar a maior quantidade de lixo possível. 

A reciclagem é um processo que transforma os materiais usados que foram descartados em novos produtos para serem reutilizados.  

Seu processo ajuda a diminuir o desperdício de energia, água, a contaminação do solo e lençóis freáticos, além de ajudar a proteger recursos minerais importantes para manutenção do ecossistema e a vida humana. 

Quando reciclamos, aquilo que antes era lixo pode ser transformado em novos produtos, conservando, assim, a matéria-prima e protegendo o ambiente para nossa vida presente e futura.  

Você sabe quais são as principais atividades ilegais contra o meio ambiente e o que implica cada uma delas? Então vem que o grupo de BH te ajuda: 

Para turbinar as receitas dessa semana, vários grupos listaram motivos para você aderir de vez a uma alimentação mais sustentável, boa pra você, para o meio ambiente e para o seu bolso. Vem ver: 

ABC Paulista <3

Belo Horizonte <3

João Pessoa <3 

Agora que já estão todes convencidxs de que os benefícios são infinitos e vale não só a pena como a vida da galinha inteira, vem ver as receitas deliciosas que os grupos separaram para você começar com classe e sabor: 

Macarrão com molho cremoso de grão de bico - Recife <3

Risoto sem carne - Litoral Norte <3

Voltamos com a nossa sessão nostalgia, e a lembrança de hoje veio do grupo de Belo Horizonte. No Dia da Terra (22 de abril), em 2011, nossos voluntas se reuniram para exigir mudanças que diminuem a destruição da única casa que nós e os ecossistemas temos. <3

Seguiremos atualizando e apoiando os grupos, afinal, estamos todes juntos nessa :)