Greenpeace pescado no documentário "Seaspiracy"

Gustavo Pinent • 6 Maio 2021

Documentário Seaspiracy

O Netflix lançou recentemente o seu documentário original "Seaspiracy". Produzido por um jovem cineasta, o documentário é basicamente o relato pessoal de sua busca documentada por respostas com relação a poluição dos oceanos e massacre diário de espécies vitais ao ecossistema global. Logo de início é apresentado o grave problema criado pela inundação dos oceanos por plásticos e mortandade de baleias e golfinhos. O plástico e os grandes animais marinhos materializam a tragédia, mas ele deixa claro o lado microscópico do problema. Dados assim sempre me deixam curioso, ainda não vi um contraponto. O documentário avança junto com uma jornada onde o documentarista se deixa guiar por uma investigação sobre causas e culpados pela situação catastrófica dos oceanos e suas consequências.

Denúncias

O Greenpeace aparece no documentário no fim do primeiro terço, cai na rede quando ele se dedica a expor o que realmente as ONGs ambientalistas e instituições relacionadas fazem a respeito, seus posicionamentos e atitudes. O Greenpeace não é destacado entre os que estão no "negócio ambiental" onde há pelo menos um conflito de interesses entre a organização e sua proposta de atuação, mas está entre as organizações que ele critica por não focar na pesca predatória e altamente poluente.

Greenpeace

Já adianto que há um artigo no site do Greenpeace sobre o documentário, mas está em inglês: https://www.greenpeace.org/aotearoa/story/seaspiracy-netflix-movie-take-action/. Se houver uma tradução, por favor coloque nos comentários, senão eu até me disponho a traduzir, mas tenho que enviar ao Greenpeace Brasil para apreciação deles. Dessa forma, vou apenas adiantar que achei a opinião do artigo parecida com a minha, compartilhada mais abaixo.

Numa rápida análise, mais sob o ponto de vista da comunicação (minha área), o documentário termina por ser limitado em sua tentativa de ir a fundo. Possui altos e baixos e eu destacaria que funciona muito bem como alerta, denúncia e divulgação. Mas em se tratando de apontar culpados e soluções, o documentário não chega a passar pela fase seguinte à investigativa que é a análise e por fim se faz julgamentos e conclusões - se possível. Ele não escapa de culpar quem come peixe ainda que ele mesmo tenha levantado que essa é uma ação limitada já que a indústria é subsidiada e está envolvida com outros graves problemas relacionados a miséria e máfia internacional.

Vou deixar aqui minha opinião pessoal. Eu entendo a frustração dos jovens diante de um problema tão grande e de tanta falta de ação por parte de governos, instituições a até mesmo ONGs, mas para usar uma expressão de forma bem cretina, o peixe morre pela boca. Respostas mais simples são tentadoras mas devemos persistir e buscar tanto uma teorização como um plano de ação efetivo e perene. A conscientização é uma delas, quem deixa de usar plásticos para colaborar poderá mais tarde se juntar à força política necessária para mudar a indústria - que é feita de... pessoas. Isso não pode ser desprezado. Por outro lado, não adianta sonhar com um mundo vegano, não vamos derrubar a Amazônia pra plantar soja porque temos pena dos peixes (e ninguém tem pena da coitada da soja). Mas podemos eliminar a crueldade e parar a devastação com forças que já temos. Só os EUA tem cinco frotas marítimas poderosas que fazem o "policiamento do mundo" - problema é que não identificam os inimigos certos e não agem com inteligência. Por outro lado, as comunidades civis tem mais força do que pensam, e ações locais contam muito - é um mito conveniente a impotência do povo. Não devemos nos culpar por estarmos no topo da cadeia alimentar, e sim por agirmos de forma predatória e ruim.

Por fim, logo no início do documentário, me recordei quando fui a um show de golfinhos, há muito tempo atrás quando criança. Ganhei uma bola arremessada por um dele! Mas tive que ir com um amigo porque minha mãe, que estudava biologia, se recusou a ir. Mais tarde seriam proibidos esses tipos de shows com animais vivos em minha cidade - com a minha ajuda. Assim também se muda o mundo.